Por mil gerações sua sabedoria conforta corações aflitos e instrui espíritos sedentos.
Por mil gerações a pedra de seu templo faz sombra às frontes queimadas e aos pés calejados.
Por mil gerações perdura a memória do mais justo entre todos os homens.
E depois?
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
sábado, 29 de novembro de 2008
Peguei o Espírito da Coisa!
Tá vendo, ali, na estante, aquela garrafa com uma fumacinha azul dentro?
É ele...
É ele...
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Um dia
Tem dia que o céu o saúda mais azul, as coisas dotadas de mais cor, melodia ou movimento.
E tem dia que, por mais que o sol teime em brilhar, uma névoa permanece, invencível, talvez invisível, porém sensível. Como se o ar carregasse o ranço das gerações.
Nesses dias, pode sentir por vezes um cansaço imenso, como se lhe pesassem as idéias e história que insistem em se repetir (sendo por isso mesmo, feliz ou infelizmente, perdoadas).
Mas, tem dias em que ele pode celebrar sua majestade, dominando cada vez um pouco mais do mundo, ou comemorar sua alforria cavalgando o tempo sem sela nem cabresto.
O que lhe conforta ou excita é sua única certeza:
Um dia ele morre.
E tem dia que, por mais que o sol teime em brilhar, uma névoa permanece, invencível, talvez invisível, porém sensível. Como se o ar carregasse o ranço das gerações.
Nesses dias, pode sentir por vezes um cansaço imenso, como se lhe pesassem as idéias e história que insistem em se repetir (sendo por isso mesmo, feliz ou infelizmente, perdoadas).
Mas, tem dias em que ele pode celebrar sua majestade, dominando cada vez um pouco mais do mundo, ou comemorar sua alforria cavalgando o tempo sem sela nem cabresto.
O que lhe conforta ou excita é sua única certeza:
Um dia ele morre.
Rapidinha
Agora se sentia verdadeiramente um homem: Já teve um carnê das Casas Bahia, o nome no Serasa e lhe despontava uma discreta barriga de cerveja.
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Apenas uma boa combinação
Estava em casa de meu tio, assistindo clipes e trocando idéias.
Sobre um dos clipes, comentei que a música era muito boa, e que apesar da banda não apresentar nenhum virtuosismo, todos os elementos (simples) da composição eram bem combinados. De fato, essa é uma coisa da qual gosto muito em música.
Tudo bem, seria uma infâmia alguém que aprendeu a gostar de música com os titios do Deep Purple dizer que não sabe apreciar uma boa virtuose. Meu Deus... O que era aquele Jon Lord duelando com o Blackmore? Os solos de Highway Star, então... Aquilo é o êxtase!
Mas na vida tem hora para tudo. A simplicidade de algumas coisas me faz sentir menos pequeno, menos inútil. Gosto de Joe Satriani, mas ouvi-lo me dá vontade de quebrar meu violão e pular da janela do décimo terceiro andar (acho que é por minha causa que até hoje a vó não tirou as telas de proteção das janelas). Já o Nando Reis, por exemplo, não. O cara -não desfazendo, por favor, mas convenhamos - toca um violão meia boca (tem hífen aqui, será?), além do simples fato de que ele é desafinado cantando. Mas faz um som bacana... Tem ótimas idéias, e sabe combiná-las em um bom conjunto. Ele é o tipo de pessoa que me dá esperança de um dia tocar por aí, quiçá até gravar alguma coisa.
Existem obras que nos inspiram e mostram até onde podemos chegar, mas também existem aquelas cujo papel é o de nos fazer sentir maiores. É mais ou menos como olhar o David do Michaelangelo, com seu pipizinho, e achar que eu sou o cara mais foda do mundo.
Sobre um dos clipes, comentei que a música era muito boa, e que apesar da banda não apresentar nenhum virtuosismo, todos os elementos (simples) da composição eram bem combinados. De fato, essa é uma coisa da qual gosto muito em música.
Tudo bem, seria uma infâmia alguém que aprendeu a gostar de música com os titios do Deep Purple dizer que não sabe apreciar uma boa virtuose. Meu Deus... O que era aquele Jon Lord duelando com o Blackmore? Os solos de Highway Star, então... Aquilo é o êxtase!
Mas na vida tem hora para tudo. A simplicidade de algumas coisas me faz sentir menos pequeno, menos inútil. Gosto de Joe Satriani, mas ouvi-lo me dá vontade de quebrar meu violão e pular da janela do décimo terceiro andar (acho que é por minha causa que até hoje a vó não tirou as telas de proteção das janelas). Já o Nando Reis, por exemplo, não. O cara -não desfazendo, por favor, mas convenhamos - toca um violão meia boca (tem hífen aqui, será?), além do simples fato de que ele é desafinado cantando. Mas faz um som bacana... Tem ótimas idéias, e sabe combiná-las em um bom conjunto. Ele é o tipo de pessoa que me dá esperança de um dia tocar por aí, quiçá até gravar alguma coisa.
Existem obras que nos inspiram e mostram até onde podemos chegar, mas também existem aquelas cujo papel é o de nos fazer sentir maiores. É mais ou menos como olhar o David do Michaelangelo, com seu pipizinho, e achar que eu sou o cara mais foda do mundo.
domingo, 20 de julho de 2008
Atraso
As crianças conversavam na varanda. Crianças que não se sabiam mais crianças, que tinham vergonha de fazer coisas de criança. Crianças que queriam decobrir o que mais na vida se pode fazer.
No quarto próximo, o velho andava em direção ao banheiro, com a tranqüilidade de quem já viu muita coisa, com a resignação de quem sabe o quão pouco poderá ver, não importa quanto tempo mais tenha.
Timidamente, as crianças conversavam, buscando desesperadamente assuntos, embora ambos preferissem o silêncio naquela hora. Até que a mão do menino se pôs sobre a da menina. Ela teve a imensa coragem de sorrir, quando nenhum assunto mais era necessário. A única vontade era que aquele momento durasse para sempre.
Terminada a evacuação, o velho escarrou satisfeito no vaso. O ato o fez pensar em uma cereja colocada em cima de um bolo, um fino adorno para uma bela obra.
O segundo de silêncio foi quebrado pelo som da descarga acionada. A menina, arisca, puxou o braço num susto, e a mão do menino sentiu um choque ao encontrar somente o frio do mármore do beiral onde se apoiavam. Nenhuma palavra foi dita sobre o assunto que as crianças se esforçavam para entender.
Somente os anjos testemunhavam toda a cena, somente eles poderiam contar quanto tempo levaria para que aquelas mãos pudessem se encontrar novamente. Sim, ninguém poderia sequer imaginar tal história senão eles, que então cuidavam do menino que fugia para a cozinha com a desculpa da sede, da menina que embaraçada desembaraçava os cabelos, e do velho que avançava vagaroso pelo corredor, coçando seu traseiro tranqüilo e resignado.
No quarto próximo, o velho andava em direção ao banheiro, com a tranqüilidade de quem já viu muita coisa, com a resignação de quem sabe o quão pouco poderá ver, não importa quanto tempo mais tenha.
Timidamente, as crianças conversavam, buscando desesperadamente assuntos, embora ambos preferissem o silêncio naquela hora. Até que a mão do menino se pôs sobre a da menina. Ela teve a imensa coragem de sorrir, quando nenhum assunto mais era necessário. A única vontade era que aquele momento durasse para sempre.
Terminada a evacuação, o velho escarrou satisfeito no vaso. O ato o fez pensar em uma cereja colocada em cima de um bolo, um fino adorno para uma bela obra.
O segundo de silêncio foi quebrado pelo som da descarga acionada. A menina, arisca, puxou o braço num susto, e a mão do menino sentiu um choque ao encontrar somente o frio do mármore do beiral onde se apoiavam. Nenhuma palavra foi dita sobre o assunto que as crianças se esforçavam para entender.
Somente os anjos testemunhavam toda a cena, somente eles poderiam contar quanto tempo levaria para que aquelas mãos pudessem se encontrar novamente. Sim, ninguém poderia sequer imaginar tal história senão eles, que então cuidavam do menino que fugia para a cozinha com a desculpa da sede, da menina que embaraçada desembaraçava os cabelos, e do velho que avançava vagaroso pelo corredor, coçando seu traseiro tranqüilo e resignado.
domingo, 1 de junho de 2008
Quem sou eu?
Se sou a energia que me compõe - em constante troca com o meio, incessante renovação - eu já não sou quem era.
Se sou a somatória de meus pensamentos - os infantis agora abandonados, os atuais o serão quando eu perceber sua futilidade - eu já não sou o mesmo.
Se sou o resultado de meus atos - vale o mesmo critério dos sonhos, semente das ações - eu nunca mais serei quem fui.
Se não consegui me conhecer, conseqüentemente me entender, em uma forma velha e manjada, que direi agora, deste desconhecido recém-nascido que me encara através do espelho embaçado?
Se sou a somatória de meus pensamentos - os infantis agora abandonados, os atuais o serão quando eu perceber sua futilidade - eu já não sou o mesmo.
Se sou o resultado de meus atos - vale o mesmo critério dos sonhos, semente das ações - eu nunca mais serei quem fui.
Se não consegui me conhecer, conseqüentemente me entender, em uma forma velha e manjada, que direi agora, deste desconhecido recém-nascido que me encara através do espelho embaçado?
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