Quantos anos tinha o menino? Cinco? Seis? Não sei ao certo.
Naquela época ele viajava freqüentemente com a família. Tinha praia todo ano, e volta e meia iam a uma minúscula cidade do interior do Paraná, ainda hoje cheia de parentes.
E o menino, que era acostumado a olhar o céu - seu avô lhe ensinava o nome das constelações - ficava maravilhado com o que via nas viagens. As luzes da cidade grande em que vivia ofuscavam a maior parte das estrelas, então o céu que ele via quando estavam na estrada lhe aparecia maravilhoso, salpicado de milhares de pontos luminosos e delicadas nuances que sua mãe lhe apontava como a Via-Láctea e nebulosas distantes.
Em uma das vezes em que estavam indo para o interior, o menino estava deitado no banco de trás do carro, a mãe ao seu lado, e ele olhava o céu noturno pela janela.
Então ele começou a chorar.
Quando sua mãe lhe perguntou o motivo do choro, o menino respondeu que era porque não conseguia entender como o Universo podia ser infinito. Ele simplesmente não conseguia formar em sua mente uma imagem para isto. A mãe lhe disse algo, ele chorou mais um pouco e logo se acalmou.
Ainda hoje eu o vejo. Nesses anos, o menino aprendeu a não chorar porque não consegue entender algumas coisas. Aprendeu a disfarçar com um sorriso a sua inquietação.
Mas eu o conheço como poucos, e sei que ele não está contente. Nunca esteve. Nunca se satisfez com nada do que lhe deram. Brinquedos, amor, respostas.
Acho que ele só estará satisfeito no dia em que todo o infinito do Universo couber em seu pensamento, no dia em que ele próprio se tornar do tamanho da Vida.
quinta-feira, 24 de abril de 2008
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Um comentário:
metido? não sei se é possível; mas ainda não estou, hahahaha ...
eu vi o blog do ulisses sim.
e parece que textos densos são especialidade da família Sawczuk.
muito bom.
abraço.
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