sábado, 17 de maio de 2008

Ele nunca saberia

Ele nunca saberia o quanto ela esperou que ele ligasse naquele dia.
Nunca poderia saber do quanto ela pensou nele nos últimos dias. Um pequeno sentimento, bem pequeno mesmo, mas que brilhava como um ponto de luz num quarto escuro.
Seu rosto foi tomado por ela, e emprestado às mais vagas esperanças que ainda insistia em cultivar.
Não, ele jamais saberia o quanto ela teve vergonha só de pensar em recebê-lo em sua casa simples, não obstante fosse confortável e digna.
O quanto ela teve vergonha de si mesma, de suas roupas e de suas maneiras, não obstante se soubesse bela e elegante.
Ele nunca saberia o quanto custou a ela não beber aquela garrafa de vinho com alguma amiga, ou amigo, talvez mesmo um amante. Ela sabia que só teria dinheiro para comprar outra dali a alguns dias, e queria beber aquela garrafa com ele.
E naquele dia ele não ligou. Ela passou a noite sozinha em sua casa, não bebeu o vinho com ninguém e não amou a ninguém.

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